Festival Planeta Terra + The Raveonettes.

Sexta-feira viajei para São Paulo rumo ao Festival Planeta Terra que ocorreria no sábado. Chegamos um dia antes dos shows, e graças aos contatos do Bernardo (colaborador do blog), nós conseguimos ingressos lindos, macios, fresquinhos e GRÁTIS para o show do The Raveonettes que ocorreu por lá na sexta-feira mesmo. A polêmica em torno do show, é que até um dia antes, ele não havia sido confirmado, e quando a venda dos ingressos foi anunciada, foi uma correria e desespero por parte de muita gente. No fim das contas todos os ingressos foram vendidos em menos de uma hora e muita gente que gostaria de ter ido, acabou ficando com as mãos abanando.

 

Mas deu tudo certo e conseguimos entrar no show. O Sesc Pompéia tem uma acústica ótima, tem o clima e o ambiente ideais para um show, e assim foi. Um show perfeito, com um público propositalmente reduzido, mas que nem por isso deixou a desejar. Grande parte das pessoas sabia a letra das músicas, cantava junto e complementaram o show, que foi maravilhoso. A setlist (que você pode conferir aqui) foi ótima, tocaram músicas de todos os álbuns, tanto dos novos quanto dos velhos, intercalando entre músicas animadas e seus momentos de auge e músicas mais tranquilas para amenizar o furor da plateia. O que não falta num show dos Raveonettes é sua áura etérea e ao mesmo tempo carregada de guitarras, sobreposições, distorções e muita microfonia. As vozes da Sharin e do Sune ao vivo são praticamente idênticas às vozes que ouvimos em suas gravações de estúdio. Ambas se complementam e fazem quase que um show à parte. Em poucas palavras, foi tudo lindo.

Vamos à segunda (e também linda) parte da viagem, o Festival Planeta Terra. Logo ao entrar no Playcenter, já estava em tom otimista. Gente bonita e estranha para todo lado, o que me deixou ainda mais impressionado, porque todo mundo era muito educado, muito civilizado e muito humano, digamos assim. A organização do evento estava impecável, não tenho sequer uma reclamação para fazer à esse respeito.

Iniciamos pelo show dos Novos Paulistas que reúne nomes como Tiê, Thiago Pethit e Tulipa Ruiz (todos artistas excepcionais). Não sei o que aconteceu, mas não senti o clima adequado para o show descontraído que fizeram, foi tudo na base do improviso, diálogos e conversas entre as músicas levaram quase à um tom de ensaio.

 

Logo em seguida, iríamos assistir ao Of Montreal, mas acabamos perdendo o começo, que por sinal deve ter sido a melhor parte do show, já que tocaram as lindas Coquet Coquette e The Party’s Crashing Us. Uma apresentação circense, cheia de atuações, gritos agudos e figurinos divertidos crumpriu seu papel, com um setlist bem elaborado, tocaram também, tanto músicas velhas quanto músicas novas.

 

Depois rumamos para um dos melhores (senão o melhor) shows do festival. Yeasayer. Com o som e execução das músicas  impecáveis, levaram o público às nuvens. Tanto é que ficou claro o espanto na expressão de um dos vocalistas quando um coro se ergueu mais alto que o próprio som do show durante a primeira música, Madder Red. Os integrantes estavam tocando com tanta sincronia que era perceptível que estavam todos na mesma sintonia, na mesma vibe que todo o público que colaborou para que o show fosse excepcionalmente bom. Além da música já citada, as expectativas por 2080 e por O.N.E. foram grandes, e quando ambas as canções se iniciaram, todas as cabecinhas dançantes entoaram os cânticos como se fossem hinos. (Setlist aqui)

 

Depois do Yeasayer, saímos correndo pra pegar o finalzinho do show do Mika. Aí já percebi que o parque estava abarrotado de gente, como se tivesse enchido de uma hora pra outra, e todo mundo estivesse alí ouvindo os falsetes incansáveis do Mika. Um palco todo ornamentado e decorado por flores, que até hoje não sei se eram reais ou não. Acho que foi o show mais colorido da noite, enquanto uma multidão cantava do começo ao fim cada uma das músicas. (Setlist aqui)

 

Seguimos para o show do Passion Pit, que foi o que mais decepcionou da noite. Não era o som que estava com problema, nem o setlist. Era o vocalista Michael Angelakos com sua prepotência no auge, mais boçal que ele impossível. Assisti duas ou três músicas e sai de lá, o tom de “superior” dele me incomodou de uma forma anormal. Devo assumir que o som realmente estava impecável e cheio de técnicas para que seus gritinhos agudos não falhassem, estava bonito de se ver, mas não tive paciência pra arrogância que predominou.

 

E infelizmente por último, o show do Phoenix. Começando com Lisztomania, a banda carregou todos os espectadores do evento em sã consciência para o palco principal. Foi o único show em que a platéia me incomodou, todo mundo atravessando na frente, incomodando, trombando, pedindo para passar, e tudo isso impedindo que eu pudesse aproveitar ao menos um pouco do show. No geral tudo bem, dá para entender o furor dos fãs quando se trata de algo esperado por todos. Da metade do show para o final, na minha opinião foi tudo absolutamente dispensável. Foram uns 10 minutos de músicas instrumentais, e logo em seguida ainda mais músicas que não animaram muito a plateia. (Setlist aqui)

 

Depois disso o cansaço tomou conta de mim, e não aguentei assistir o restante dos shows no mesmo pique. Pela segunda vez perdi o show do Hot Chip, o qual todo mundo idolatrou. Assisti sentado, lá no fundo sem prestar atenção em nada. Depois desse, fomos embora, sem ver Empire Of The Sun e Girl Talk, o que faz me arrepender até hoje, já que muita gente disse que o Empire Of The Sun foi o melhor de todo o festival. Os demais shows, do Smashing Pumpkins e Pavement principalmente, não me interessaram nem um pouco, por isso não vou me dar ao trabalho.

No geral, só tenho elogios para o evento, tudo em perfeito andamento e sem problemas. Os brinquedos serviram para descontrair o público, e funcionaram muito bem em tal função. O atendimento nas praças de alimentação cumpriu seu papel também, levando em conta a multidão presente, o serviço estava bem eficiente. Percebi também várias ações de publicidade, mas que não vem ao caso citar.

Última coisa, que notei e não posso deixar de comentar, é que tanto no show do The Raveonettes quanto em todos os que assisti no Festival Planeta Terra, ví e arrisco chutar uma nova tendência, a de dançar muito estranhamente, meio nerd, meio travado, no fim das contas um movimento totalmente disforme e destoante do corpo, como se a cabeça, o tórax e os membros fossem partes distintas, e dançassem por conta própria.

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Um comentário sobre “Festival Planeta Terra + The Raveonettes.

  1. Saudações caro, amigo quero primeiramente parabeniza-los pelo blog, estou sempre ligada nas novas publicação.
    E dizer, que incrível esse do Festival, tenho que dizer que fiquei realmente na vontade e obrigada por compartilhar os momentos.
    E esse último parágrafo me renderam boas risadas, beijos Din

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